REPÚBLICA VELHA
É denominado República Velha (ou A Primeira República do Brasil), o período histórico entre a proclamação (1889) até a ascensão de Getúlio Vargas em 1930, data de término deste ciclo. Neste tempo, houve 13 presidentes.Este período da história é dividido em A República da Espada, momento da permanência das instituições republicanas, e a República Oligárquica, onde as instituições republicanas são controladas pelos proprietários de terras. Cada período presidencialista tem suas subdivisões, dividindo o primeiro período republicano da história do Brasil em várias partes.
MANIFESTAÇÕES DA VELHA REPÚBLICA
Apesar das reformas de 1861, e o estabelecimento da Constituição Republicana não resolveu os problemas de corrupção e marginalização das classes sociais no Brasil daquela época. O domínio se valia das elites Agricultoras, que se basearam, em partes, do tráfico de escravos, com o custo-benefício extremamente alto, enriquecendo esta casta.
"Afinal de contas, como seria possível se submeter aos poderes e obrigações de um Estado pouco interessado em atender as demandas daqueles que devia representar?" ¹
Logo, o próprio governo estava ligado com os interesses de grupos. Um destes sinais foi a exclusão do voto para analfabetos, o que significou a restrição de eleger o representante da população para poucas pessoas. O resultado disto foi catastrófico.Isto incentivou o surgimento dos líderes messiânicos (de messias, mashiah em hebraico, "o enviado" ) como Monge José Maria (SC), Antônio Conselheiro (BA) e Padre Cícero (CE). Mais tarde, surgiram os cangaceiros em meados de 1910. Eles começaram a sumir do mapa o governo Vargas. No final da década de 1930, o governo federal intensificou o combate aos cangaceiros. Lampião e seus companheiros, por exemplo, foram executados em 1938.Rebeliões nesta época formaram claramente uma coluna contra os rumos da política época, eclodindo as primeiras manifestações, como a Revolta da Vacina (1904); Revolta da Chibata (1910); Coluna Prestes (1925).
CORONELISMO
"O centralismo imperial sempre serviu como contraponto ao forte poder local dos grandes fazendeiros ou senhores de engenho, conhecidos como coronéis. O Federalismo Republicano contribuiu ainda mais para aumentar esse poder, pois minimizava a interferência do governo federal nos estados, transformando os coronéis em figuras decisivas dentro dos partidos republicanos locais." ²O coronelismo, seguindo a definição de Jão Paulo Ferreira e Luiz Fernandes, se baseava em uma troca de favores: o coronel garantia votos aos políticos de sua preferência, e em troca, o político garantia verbas e vista grossa aos mandos na sua região. Eis que surge o Sistema Oligárquico.
As características desta fase são:
Voto de Cabresto: Os coronéis tinham costume de comprar os votos para seus favoritos, trocando votos da população por materiais. Surge, então os currais eleitorais, com os capangas dos coronéis nos locais de cotação.
Fraude eleitoral: Tinha como prática anular votos de quem escolhesse outro candidato, ou até criar "votos fantasmas".
². FERREIRA, João Paulo; FERNANDES, Luiz. Nova história integrada. Campinas: Companhia da Escola, 2005.
Política do café-com-leite: Os estados de São Paulo e Minas Gerais produziam em massa os respectivos produtos e, porque a maioria dos presidentes da época ou eram de um ou de outro, acabou-se criando uma hegemonia" e a "política do café com leite" surgiu.
Política dos Governadores: Consistia em troca de mercês entre o Presidente e os Governadores dos estados, onde o segundo se comprometia em não interferir nos rumos da política, e o primeiro tinha privilégios em verbas para investimento no estado e estabilidade.
REBELIÕES
* CANUDOS
Vicente Mendes Maciel, ou Antônio Conselheiro, nasceu em família de classe média. Graças a isso, teve acesso aos estudos, tendo contato com as línguas estrangeiras, matemática, política.
Antônio começou a pregar um tipo de Cristianismo primordial, envolto em problemas sociais e econômicos do sertão da Bahia, onde pregava. Defendia que os homens deveriam se livrar das opressões e injustiças que lhes eram impostas, buscando superar os problemas de acordo com os valores religiosos cristãos. Com palavras de fé e justiça, Conselheiro atraiu muitos sertanejos.
Seus ideiais eram vistos com maus olhos pelos poderosos da época. A Igreja atacava alegando que sua doutrina baseava-se em blasfêmias e depravação. Os políticos incriminavam dizendo que era um grupo de monárquicos, tentando derrubar o poder federalista.
Os Canudos (nome dado ao grupo em Belo Monte, sua aldeia) acabou perecendo na década de 1890.
* CANGAÇO
Os Cangaceiros, como eram chamados os membros do Cangaço, eram bandos de malfeitores, ladrões, assassinos, bem armados, conhecedores da região sertaneja. Assaltavam fazendas, matavam em nome da população ou para proveito próprio.
No século XX (data de ascensão do grupo), podemos dividi-los em 3 grupos: os que prestavam serviços para os latifundiários; os "políticos", expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, os banditistas.
Ainda no século XX, podemos destacar a ousadia do bando de Antônio Silvino, e o cangaceiro Cristino Gomes da Silva Cleto (o Corrisco), que perambulava com seu grupo no interior da Bahia. Estas duas figuras destacam-se, pois é a personificação do herói/mito, onde os líderes destas quadrilhas são cunhados de heróis dos mais pobres, algo como o Robin Hood ou as milícias do Rio de Janeiro, em outras épocas.
O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião,como era chamado, também cunhado de o "Senhor do Sertão" e "O Rei do Cangaço". Obteve fama durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do nordeste brasileiro.
O descaso com o governo dos Cangaços levou o governo da época a criar os Volantes, polícias especiais e militares, cujos rumos de atuação não se diferenciavam muito em relação àqueles que procuravam.
Em 1938, houve um confronto entre os Volantes e o Grupo de Lampião. Cerca de 11 Cangaceiros foram mortos, e o ato foi de tanta violência, que suas cabeças expostas no museu Nina Rodrigues, até 1968.
* REVOLTA DA VACINA
A revolta da vacina ocorreu em 1904, quando o então presidente Rodrigues Alves (1902 – 1906), decretou uma campanha de Vacinação em alguns estados.
Nesta época, apesar dos casarões e grande edifícios, o saneamento básico da população era precária. As redes eram insuficientes de água e esgoto, coleta de resíduos precária e cortiços povoados desencadearam doenças como tuberculose, sarampo etc. Doenças como a peste bubônica, varíola e febre amarela tornavam-se pandemias. Em 1904, cerca de 3 500 pessoas morreram de varíola. Dois anos depois, esse número caía para nove. Em 1908, uma nova epidemia eleva os óbitos para cerca de 6 550 casos, mas, em 1910, é registrada uma única vítima.
O presidente Rodrigues Alves decretou uma campanha de vacinação para combater o alastramento destas doenças. Nomeou, também, como Ministro da Saúde, Oswaldo Cruz, e deu liberdade para os Governadores atuarem diretamente nestas campanhas em cada estado.
O que se viu foi uma desinfecção geral, contra mosquitos da febre amarela e ratos contaminadores da peste.
Apesar da campanha ter bons princípios, o descaso para com a população era grande. Nesta época, a vacina não era vista com bons olhos, e as pessoas ficavam precavidas quanta a ela. Os agentes de saúde, sabendo de tal, invadiam as casas da pessoas e injetava à força o líquido.
Veja as principais fases da revolta, nos dias respectivos ao decreto até sua revogação (revista Super Interesante, edição 86 de 2011):
Dia 9
* O jornal carioca A Notícia publica o projeto de regulamentação da lei de vacinação obrigatória. Os termos são considerados autoritários e começa a indignação popular. No dia 10, o povo se aglomera no largo de São Francisco. Morra a polícia. Abaixo a vacina, gritam os oradores. A multidão desce a rua do Ouvidor e, na praça Tiradentes, encontra policiais. Ao final, quinze presos.
* Dia 11
A Liga Contra a Vacina Obrigatória marca um comício no largo de São Francisco. Seus líderes não comparecem. Mas, exaltada, a multidão recebe a polícia com pedras, paus e pedaços de ferro da construção da avenida Central (hoje, Rio Branco). À noite, cerca de 3 000 pessoas marcham contra o Palácio do Catete, sede do governo, já cercado por tropas. Na volta, pela Lapa, há novos confrontos. Tiros. Morre o primeiro popular.
Dia12
Nos três dias seguintes, a cidade se transforma num campo de batalha, com barricadas em diversos pontos. Bondes e postes são depredados. Trilhos e calçamentos, arrancados
A rebelião foi contida, deixando 50 mortos e 110 feridos. Em poucos dias a cidade voltava ao normal, e a campanha de vacinação voltava normalmente.
TENENTISMO
O tenentismo foi um movimento que ganhou força na década de 1920, entre militares de média e baixa patente durante os últimos anos da República Velha. O movimento mostrou a desvinculo entre o governo e os proprietários rurais. Estes não defendiam ideologia alguma, somente lutavam por reformas na constituição, entre as quais se destacam o fim do voto de cabresto, instituição do voto secreto e a reforma na educação pública.
Influenciados pelos anseios políticos das populações urbanas, os militares envolvidos nesse movimento se mostraram favoráveis às tendências políticas republicanas liberais. Entre outros pontos, reivindicavam:
O movimento tenentista defendia as seguintes mudanças:
* Fim do voto de cabresto (sistema de votação baseado em violência e fraudes que só beneficiava os coronéis);
* Reforma/privatização no sistema educacional público do país;
* Mudança no sistema de voto aberto para secreto;
Além disso, eram favoráveis à liberdade dos meios de comunicação, exigiam que o poder Executivo tivesse suas atribuições restringidas, maior autonomia às autoridades judiciais e a moralização dos representantes que compunham as cadeiras do Poder Legislativo.
As primeiras manifestações militares que ganharam corpo durante a República Oligárquica aconteceram nas eleições de 1922. A revolta dos 18 do Forte de Copacabana. Nesta revolta, ocorrida em 5 de julho de 1922, foi durante combatido pelas forças oficiais. Outros exemplos de revoltas tenentistas foram a Revolta Paulista (1924) e a Comuna de Manaus (1924). A Coluna Prestes, liderada por Luis Carlos Prestes, enfrentou poucas vezes as forças oficiais. Os participantes da coluna percorreram milhares de quilômetros pelo interior do Brasil, objetivando conscientizar a população contra as injustiças sociais promovidas pelo governo republicano.A falta de apelo entre os setores mais populares, e as intensas perseguições e cercos promovidos pelo governo acabaram dispersando esse movimento. Luís Carlos Prestes, notando a ausência de um conteúdo ideológico mais consistente à causa militar, resolveu aproximar-se das concepções políticas do Partido Comunista Brasileiro. Em 1931, o líder da Coluna mudou-se para a União Soviética, voltando para o país quatro anos mais tarde.
CRISE DE 1929 NO BRASIL
A crise de 1929 afetou o Brasil. O café representava 71% das exportações brasileiras e os grandes compradores eram os Estados Unidos. Com a crise, a importação deste produto diminuiu, por causa dos empregos e a falta de dinheiro em circulação, e por conseguinte os preços do café brasileiro caíram. Para que não houvesse uma desvalorização excessiva, o governo brasileiro queimou praticamente toda sua safra de café, inutilizando toneladas de café. Desta forma, diminuiu-se a oferta, estabilizando o preço do cafe.
Com a crise do café, muitos cafeicultores começaram a investir no setor industrial, alavancando a indústria brasileira, que nesta época concentrava-se em monocultura ou uma economia agrária.
A solução para a crise em 1933. No governo de Franklin Roosevelt, implantou-se o plano chamado New Deal, (novo acordo), que vigorou entre 1933 e 1937.Os principais pontos deste trato foram:
* "O investimento maciço em obras públicas: o governo investiu US$ 4 bilhões (valores não corrigidos pela inflação) na construção de usinas hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos etc. Tais obras geraram milhões de novos empregos;
* A destruição dos estoques de gêneros agrícolas, como algodão, trigo e milho, a fim de conter a queda de seus preços;
* O controle sobre os preços e a produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria;
* A diminuição da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos. Além disso, fixou-se o salário mínimo, criaram-se o seguro-desemprego e o seguro-velhice (para os maiores de 65 anos)." ³
Com isto, o governo conseguiu manter a inflação e precaver a formação de grandes estoques. Fez parte do plano também o grande investimento em obras públicas e civis como estradas, aeroportos, ferrovias, energia elétrica etc, conseguindo diminuir significativamente.
BIBLIOGRAFIA
www.suapesquisa.com
www.wikipedia.com
http://historiablog.wordpress.com/2009/01/03/a-crise-de-1929-e-o-brasil/ http://www.brasilescola.com/historiab/rebelioes-na-republica-velha.htm,
www.brasilescola.com/
www.educacao.uol.com.br/

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