quarta-feira, 31 de outubro de 2012
REPÚBLICA VELHA
É denominado República Velha (ou A Primeira República do Brasil), o período histórico entre a proclamação (1889) até a ascensão de Getúlio Vargas em 1930, data de término deste ciclo. Neste tempo, houve 13 presidentes.Este período da história é dividido em A República da Espada, momento da permanência das instituições republicanas, e a República Oligárquica, onde as instituições republicanas são controladas pelos proprietários de terras. Cada período presidencialista tem suas subdivisões, dividindo o primeiro período republicano da história do Brasil em várias partes.
MANIFESTAÇÕES DA VELHA REPÚBLICA
Apesar das reformas de 1861, e o estabelecimento da Constituição Republicana não resolveu os problemas de corrupção e marginalização das classes sociais no Brasil daquela época. O domínio se valia das elites Agricultoras, que se basearam, em partes, do tráfico de escravos, com o custo-benefício extremamente alto, enriquecendo esta casta.
"Afinal de contas, como seria possível se submeter aos poderes e obrigações de um Estado pouco interessado em atender as demandas daqueles que devia representar?" ¹
Logo, o próprio governo estava ligado com os interesses de grupos. Um destes sinais foi a exclusão do voto para analfabetos, o que significou a restrição de eleger o representante da população para poucas pessoas. O resultado disto foi catastrófico.Isto incentivou o surgimento dos líderes messiânicos (de messias, mashiah em hebraico, "o enviado" ) como Monge José Maria (SC), Antônio Conselheiro (BA) e Padre Cícero (CE). Mais tarde, surgiram os cangaceiros em meados de 1910. Eles começaram a sumir do mapa o governo Vargas. No final da década de 1930, o governo federal intensificou o combate aos cangaceiros. Lampião e seus companheiros, por exemplo, foram executados em 1938.Rebeliões nesta época formaram claramente uma coluna contra os rumos da política época, eclodindo as primeiras manifestações, como a Revolta da Vacina (1904); Revolta da Chibata (1910); Coluna Prestes (1925).
CORONELISMO
"O centralismo imperial sempre serviu como contraponto ao forte poder local dos grandes fazendeiros ou senhores de engenho, conhecidos como coronéis. O Federalismo Republicano contribuiu ainda mais para aumentar esse poder, pois minimizava a interferência do governo federal nos estados, transformando os coronéis em figuras decisivas dentro dos partidos republicanos locais." ²O coronelismo, seguindo a definição de Jão Paulo Ferreira e Luiz Fernandes, se baseava em uma troca de favores: o coronel garantia votos aos políticos de sua preferência, e em troca, o político garantia verbas e vista grossa aos mandos na sua região. Eis que surge o Sistema Oligárquico.
As características desta fase são:
Voto de Cabresto: Os coronéis tinham costume de comprar os votos para seus favoritos, trocando votos da população por materiais. Surge, então os currais eleitorais, com os capangas dos coronéis nos locais de cotação.
Fraude eleitoral: Tinha como prática anular votos de quem escolhesse outro candidato, ou até criar "votos fantasmas".
². FERREIRA, João Paulo; FERNANDES, Luiz. Nova história integrada. Campinas: Companhia da Escola, 2005.
Política do café-com-leite: Os estados de São Paulo e Minas Gerais produziam em massa os respectivos produtos e, porque a maioria dos presidentes da época ou eram de um ou de outro, acabou-se criando uma hegemonia" e a "política do café com leite" surgiu.
Política dos Governadores: Consistia em troca de mercês entre o Presidente e os Governadores dos estados, onde o segundo se comprometia em não interferir nos rumos da política, e o primeiro tinha privilégios em verbas para investimento no estado e estabilidade.
REBELIÕES
* CANUDOS
Vicente Mendes Maciel, ou Antônio Conselheiro, nasceu em família de classe média. Graças a isso, teve acesso aos estudos, tendo contato com as línguas estrangeiras, matemática, política.
Antônio começou a pregar um tipo de Cristianismo primordial, envolto em problemas sociais e econômicos do sertão da Bahia, onde pregava. Defendia que os homens deveriam se livrar das opressões e injustiças que lhes eram impostas, buscando superar os problemas de acordo com os valores religiosos cristãos. Com palavras de fé e justiça, Conselheiro atraiu muitos sertanejos.
Seus ideiais eram vistos com maus olhos pelos poderosos da época. A Igreja atacava alegando que sua doutrina baseava-se em blasfêmias e depravação. Os políticos incriminavam dizendo que era um grupo de monárquicos, tentando derrubar o poder federalista.
Os Canudos (nome dado ao grupo em Belo Monte, sua aldeia) acabou perecendo na década de 1890.
* CANGAÇO
Os Cangaceiros, como eram chamados os membros do Cangaço, eram bandos de malfeitores, ladrões, assassinos, bem armados, conhecedores da região sertaneja. Assaltavam fazendas, matavam em nome da população ou para proveito próprio.
No século XX (data de ascensão do grupo), podemos dividi-los em 3 grupos: os que prestavam serviços para os latifundiários; os "políticos", expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, os banditistas.
Ainda no século XX, podemos destacar a ousadia do bando de Antônio Silvino, e o cangaceiro Cristino Gomes da Silva Cleto (o Corrisco), que perambulava com seu grupo no interior da Bahia. Estas duas figuras destacam-se, pois é a personificação do herói/mito, onde os líderes destas quadrilhas são cunhados de heróis dos mais pobres, algo como o Robin Hood ou as milícias do Rio de Janeiro, em outras épocas.
O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião,como era chamado, também cunhado de o "Senhor do Sertão" e "O Rei do Cangaço". Obteve fama durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do nordeste brasileiro.
O descaso com o governo dos Cangaços levou o governo da época a criar os Volantes, polícias especiais e militares, cujos rumos de atuação não se diferenciavam muito em relação àqueles que procuravam.
Em 1938, houve um confronto entre os Volantes e o Grupo de Lampião. Cerca de 11 Cangaceiros foram mortos, e o ato foi de tanta violência, que suas cabeças expostas no museu Nina Rodrigues, até 1968.
* REVOLTA DA VACINA
A revolta da vacina ocorreu em 1904, quando o então presidente Rodrigues Alves (1902 – 1906), decretou uma campanha de Vacinação em alguns estados.
Nesta época, apesar dos casarões e grande edifícios, o saneamento básico da população era precária. As redes eram insuficientes de água e esgoto, coleta de resíduos precária e cortiços povoados desencadearam doenças como tuberculose, sarampo etc. Doenças como a peste bubônica, varíola e febre amarela tornavam-se pandemias. Em 1904, cerca de 3 500 pessoas morreram de varíola. Dois anos depois, esse número caía para nove. Em 1908, uma nova epidemia eleva os óbitos para cerca de 6 550 casos, mas, em 1910, é registrada uma única vítima.
O presidente Rodrigues Alves decretou uma campanha de vacinação para combater o alastramento destas doenças. Nomeou, também, como Ministro da Saúde, Oswaldo Cruz, e deu liberdade para os Governadores atuarem diretamente nestas campanhas em cada estado.
O que se viu foi uma desinfecção geral, contra mosquitos da febre amarela e ratos contaminadores da peste.
Apesar da campanha ter bons princípios, o descaso para com a população era grande. Nesta época, a vacina não era vista com bons olhos, e as pessoas ficavam precavidas quanta a ela. Os agentes de saúde, sabendo de tal, invadiam as casas da pessoas e injetava à força o líquido.
Veja as principais fases da revolta, nos dias respectivos ao decreto até sua revogação (revista Super Interesante, edição 86 de 2011):
Dia 9
* O jornal carioca A Notícia publica o projeto de regulamentação da lei de vacinação obrigatória. Os termos são considerados autoritários e começa a indignação popular. No dia 10, o povo se aglomera no largo de São Francisco. Morra a polícia. Abaixo a vacina, gritam os oradores. A multidão desce a rua do Ouvidor e, na praça Tiradentes, encontra policiais. Ao final, quinze presos.
* Dia 11
A Liga Contra a Vacina Obrigatória marca um comício no largo de São Francisco. Seus líderes não comparecem. Mas, exaltada, a multidão recebe a polícia com pedras, paus e pedaços de ferro da construção da avenida Central (hoje, Rio Branco). À noite, cerca de 3 000 pessoas marcham contra o Palácio do Catete, sede do governo, já cercado por tropas. Na volta, pela Lapa, há novos confrontos. Tiros. Morre o primeiro popular.
Dia12
Nos três dias seguintes, a cidade se transforma num campo de batalha, com barricadas em diversos pontos. Bondes e postes são depredados. Trilhos e calçamentos, arrancados
A rebelião foi contida, deixando 50 mortos e 110 feridos. Em poucos dias a cidade voltava ao normal, e a campanha de vacinação voltava normalmente.
TENENTISMO
O tenentismo foi um movimento que ganhou força na década de 1920, entre militares de média e baixa patente durante os últimos anos da República Velha. O movimento mostrou a desvinculo entre o governo e os proprietários rurais. Estes não defendiam ideologia alguma, somente lutavam por reformas na constituição, entre as quais se destacam o fim do voto de cabresto, instituição do voto secreto e a reforma na educação pública.
Influenciados pelos anseios políticos das populações urbanas, os militares envolvidos nesse movimento se mostraram favoráveis às tendências políticas republicanas liberais. Entre outros pontos, reivindicavam:
O movimento tenentista defendia as seguintes mudanças:
* Fim do voto de cabresto (sistema de votação baseado em violência e fraudes que só beneficiava os coronéis);
* Reforma/privatização no sistema educacional público do país;
* Mudança no sistema de voto aberto para secreto;
Além disso, eram favoráveis à liberdade dos meios de comunicação, exigiam que o poder Executivo tivesse suas atribuições restringidas, maior autonomia às autoridades judiciais e a moralização dos representantes que compunham as cadeiras do Poder Legislativo.
As primeiras manifestações militares que ganharam corpo durante a República Oligárquica aconteceram nas eleições de 1922. A revolta dos 18 do Forte de Copacabana. Nesta revolta, ocorrida em 5 de julho de 1922, foi durante combatido pelas forças oficiais. Outros exemplos de revoltas tenentistas foram a Revolta Paulista (1924) e a Comuna de Manaus (1924). A Coluna Prestes, liderada por Luis Carlos Prestes, enfrentou poucas vezes as forças oficiais. Os participantes da coluna percorreram milhares de quilômetros pelo interior do Brasil, objetivando conscientizar a população contra as injustiças sociais promovidas pelo governo republicano.A falta de apelo entre os setores mais populares, e as intensas perseguições e cercos promovidos pelo governo acabaram dispersando esse movimento. Luís Carlos Prestes, notando a ausência de um conteúdo ideológico mais consistente à causa militar, resolveu aproximar-se das concepções políticas do Partido Comunista Brasileiro. Em 1931, o líder da Coluna mudou-se para a União Soviética, voltando para o país quatro anos mais tarde.
CRISE DE 1929 NO BRASIL
A crise de 1929 afetou o Brasil. O café representava 71% das exportações brasileiras e os grandes compradores eram os Estados Unidos. Com a crise, a importação deste produto diminuiu, por causa dos empregos e a falta de dinheiro em circulação, e por conseguinte os preços do café brasileiro caíram. Para que não houvesse uma desvalorização excessiva, o governo brasileiro queimou praticamente toda sua safra de café, inutilizando toneladas de café. Desta forma, diminuiu-se a oferta, estabilizando o preço do cafe.
Com a crise do café, muitos cafeicultores começaram a investir no setor industrial, alavancando a indústria brasileira, que nesta época concentrava-se em monocultura ou uma economia agrária.
A solução para a crise em 1933. No governo de Franklin Roosevelt, implantou-se o plano chamado New Deal, (novo acordo), que vigorou entre 1933 e 1937.Os principais pontos deste trato foram:
* "O investimento maciço em obras públicas: o governo investiu US$ 4 bilhões (valores não corrigidos pela inflação) na construção de usinas hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos etc. Tais obras geraram milhões de novos empregos;
* A destruição dos estoques de gêneros agrícolas, como algodão, trigo e milho, a fim de conter a queda de seus preços;
* O controle sobre os preços e a produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria;
* A diminuição da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos. Além disso, fixou-se o salário mínimo, criaram-se o seguro-desemprego e o seguro-velhice (para os maiores de 65 anos)." ³
Com isto, o governo conseguiu manter a inflação e precaver a formação de grandes estoques. Fez parte do plano também o grande investimento em obras públicas e civis como estradas, aeroportos, ferrovias, energia elétrica etc, conseguindo diminuir significativamente.
BIBLIOGRAFIA
www.suapesquisa.com
www.wikipedia.com
http://historiablog.wordpress.com/2009/01/03/a-crise-de-1929-e-o-brasil/ http://www.brasilescola.com/historiab/rebelioes-na-republica-velha.htm,
www.brasilescola.com/
www.educacao.uol.com.br/
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Anonymos
Nós somos Anonymous. Nós somos Legião. Nós não perdoamos. Nós não esquecemos.Esperem por nós.
A GUERRA INSTALADA NO MUNDO VIRTUAL
Este
é um movimento político nascido e sustentado na internet e ganhou muito a
simpatia e assim empolgando os militantes de todo o mundo, principalmente
durante as manifestações do movimento Occupy(um movimento de protesto contra a desigualdade econômicae social a ganância e a
corrupção).Protestos promovidos virtualmente em vários países, até mesmo o
Brasil. O Anonymous tornou-se sinônimo de resistência e força política na rede assim com muita coragen levando sua marca para todo o mundo a máscara, também vertida em filme, V de
Vingança, cujo protagonista planeja explodir o Parlamento inglês.Este é um movimento que virou símbolo do ativismo político virtual, mostrando em parte, para apopulção, o que é, na verdade, a ponta de um iceberg, o embate político, ideológico e militar que ocorre nas várias camadas da internet. Nessa rede de intrigas e perigos reais, o Anonymous tornou-se a parte visível das batalhas pelo controle no ciberespaço que, mesmo sendo virtual, numa sociedade cada vez mais dependente dos computadores, dá poder para colocar em jogo a situação política de nações e as liberdades individuais contribuindo ainda mais para que issovai acontecendo mais e mais.
Este é uma guerra instalada em todo mundo cujosos altores e consequências nem sempre aparecem para a população , como nas notícias dos ataques por vírus dos batalhões virtuais e ciberagentes estadunidenses e israelenses a unidades nucleares do Irã ou ainda, bem mais visível, nas tentativas das corporações de controlar a rede e vasculhar a privacidade de todos. Se a internet foi idealizada pelo espírito libertário dos anos de 1960, hoje, cada vez mais buscam permanecer nessa arquitetura da liberdade, cada vez mais torna-se um campo minado por armadilhas comerciais e de Estado condutas bem perigosas para todos os estados imperialistas, a rede é o melhor instrumento fundamental do que se convencionou chamar de ‘guerra assimétrica’, na qual todos os recursos valem para se chegar ao objetivo que é grande . Com uma grande vantagem para qualquer um que a use.Nessa ciberguerra, não é preciso a logística e custo de movimentar homens e equipamentos nem o custo de se expor publicamente e sim somente atacar seu alvo.
Os Anonymous
O nome Anonymous foi inspirado no anonimato sob o
qual os usuários postam imagens e comentários na Internet o que bem entender .
O uso do termo Anonymous no sentido de uma identidade iniciou-se nos
imageboards. Uma etiqueta de "anônimo" é dada aos visitantes que
deixam comentários sem identificar de quem seja o conteúdo. O usuários de
imageboards algumas vezes brincavam de fingir como se Anonymous fosse uma
pessoa real. Enquanto a popularidade dos imageboards crescia, a ideia de
Anonymous como um grupo de indivíduos sem nome se tornou um conseito que se
espalha via internet.
Anonymous
representa amplamente o conceito de qualquer e todas as pessoas como um grupo
sem nome sem origem nenhuma . Como um nome de uso múltiplo, indivíduos que
compartilham o apelido Anonymous também adotam uma identidade online
compartilhada, caracterizada como uma filosofia que se da ao prazer e desinibida sem vergonha de espor sua
opinião . Isso é uma adoção intencional, satírica e consciente do efeito de
desinibição total online.Nós Anonymous somos apenas um grupo de pessoas na internet que precisa — de um tipo de saída para fazermos o que quisermos, que não seríamos capazes de fazer numa sociedade normal. ...Essa é mais ou menos a ideia. Faça como quiser. ... Há uma frase comum: 'faremos pelo lulz.'
Definições tendem a enfatizar o fato de que o conceito, e, por extensão, o grupo de usuários, não podem abranger prontamente uma simples definição. Ao invés disso, ela são geralmente definidas como aforismo uma forma de nós libertar que descrevem assim qualidades encontradas. Uma das auto-descrições do Anonymous é:
Nós
somos Anonymous. Nós somos Legião. Nós não perdoamos. Nós não esquecemos.
Esperem por nós.

manifestações
O
estcritor Richard Stallmann, o criador do movimento dos softwares livres,
escreveu recentemente um artigo reproduzido no Brasil pelo O Estado de S.
Paulo no qual busca explicar não só os Anonymous como os movimentos que
eles realizam. No primeiro parágrafo, Stallmann já relativiza os “protestos
on-line feitos pelo grupo”, que segundo ele “são equivalentes a uma manifestação
na internet”, acrescentando ser “um erro classificá-los como atividade de
grupos hackers (uso da astúcia brincalhona) ou de crackers (invasão de sistemas
de segurança)”.
Stallmann
ainda explica, por exemplo, que os manifestantes do Anonymous, quando fizeram
os protestos contra a Mastercard e a Visa, não tentaram roubar dados da
empresa. “Eles entram pela porta da frente de uma página, que simplesmente não
é capaz de suportar tantos visitantes ao mesmo tempo.”O ativista também sustenta que há diferenças entre os protestos na rede. Conforme Stallmann, os organizados pelo Anonymous contra a Mastercard, por exemplo, não foram “ataques de negação de serviço” (DDoS). Ataques por DDoS são realizados por meio de milhares de computadores zumbis, como aconteceu no caso da invasão da página da Presidência da República do Brasil. Neste caso, explica Stallmann, alguém invade o sistema de segurança desses computadores (com frequência, recorrendo a um vírus) e assume remotamente o controle sobre eles, programando-os para formar uma botnet (rede de zumbis, que é um sistema em que computadores aliciados desempenham automaticamente a mesma função), que atende em uníssono às suas ordens (nessa hipótese, a ordem é sobrecarregar um servidor).
No caso das manifestações do Anonymous, segundo ele, foram ativistas que fizeram com que seus próprios computadores participassem do protesto. Pode parecer uma sutil diferença, mas é imensa. São cidadãos protestando, não máquinas operadas por uma única pessoa que invadiu uma série de outras para realizar o ataque.
O professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu, um dos maiores especialistas em cultura digital no Brasil, concorda com Stallmann e revela que os ataques realizados contra o site da Presidência da República foram realizados por 2 mil computadores escravizados na Itália. “Assim como defendo o direito de fazer manifestação na rua, não acho que as manifestações na internet, como as do Anonymous devam ser proibidas.” Mas ao mesmo tempo, Amadeu esclarece que há métodos diferentes e às vezes utilizados pelo mesmo grupo. “O LulzSec fez uma ação contra a Sony com uma causa, um ataque supersofisticado, em defesa da liberdade na rede. No caso dos ataques aos sites do governo, porém, e principalmente ao da Presidência da República, isso só jogou contra a liberdade na rede”, avalia.
Amadeu considera que os ataques acabaram contribuindo para que o AI-5 Digital, proposto pelo deputado federal Eduardo Azeredo, ganhasse força no Congresso. E, por isso, ele não descarta a possibilidade de os ataques terem sido realizados com esse objetivo, o que é negado em entrevista por um dos membros do LuzlSec Brasil (na página 11).
No seu artigo, Stallmann ainda chama a atenção para a precariedade de direitos na internet, que, na sua opinião, é o fator motivador dessas ações. “A internet não pode funcionar se os sites forem constantemente bloqueados por multidões, assim como uma cidade não funciona se suas ruas estiverem sempre tomadas por protestos. Mas, antes de declarar seu apoio à repressão dos protestos na internet, pense no motivo de tais protestos: na internet, os usuários não têm direitos.”
Ele faz a comparação entre as condições do mundo real e do virtual para defender sua tese. “No mundo físico, temos o direito de publicar e vender livros. Quem quiser impedir a publicação do livro tem de levar o caso a um tribunal. Para criar um site na rede, porém, precisamos da cooperação de uma empresa de concessão de domínios, de um provedor de acesso à internet (ISP) e, com frequência, de uma empresa de hospedagem, e cada um desses elos pode ser individualmente pressionado a cortar o nosso acesso.” E encerra: “é como se todos nós morássemos em quartos alugados e os senhorios pudessem despejar qualquer um sem notificação prévia.”
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